Mensagem do presidente João Claudino Fernandes Jr.

Todos que fazem parte do setor de bicicletas torcem por uma maior estabilidade neste ano de 2009. A insegurança que se instaurou a partir do segundo semestre de 2008 afetou não apenas o valor do dólar, mas também a credibilidade em poder dar prosseguimentos a projetos de expansão, e novos investimentos.

Acreditamos que o governo está sensível às adversidades que afetaram o mundo, e que já dá sinais no Brasil desde o segundo semestre de 2008.  O governo não deve se esquivar de fazer a sua parte neste importante momento de transição.

Não apenas os atacadistas e distribuidores de peças foram afetados diretamente pelo aumento do dólar, mas também todos os montadores, pois todos são importadores.  Ate o terceiro trimestre de 2008, ainda se observava hesitação nos repasses dos preços por parte de alguns no mercado,  na expectativa de uma redução do valor do dólar a um patamar mais próximo do R$ 1,70 , que fora a média dos meses que antecederam a desvalolrização recente do Real.  Certamente,  com a renovação dos estoques com base no dólar em um novo patamar (acima), é de se esperar que os preços sofram reajustes.

A bicicleta é o meio de transporte mais barato e acessível ao consumidor brasileiro. Acredito que com a diminuição no crédito e uma crescente rigidez na sua análise, os segmentos de carro e de motos poderão ser  penalizados sensivelmente, e desta forma , a bicicleta como substituto mais direto sai na frente.  Por isso, acredito que o ano de 2009 guarda boas surpresas para todo o setor de bicicletas.

Mas como incentivar a sustentabilidade deste mercado  a longo prazo?

Muito  ações  podem ser empreendidas para incrementar o mercado de bicicletas, mas dependem e muito de políticas públicas.  O Brasil, por mais que seja um dos maiores produtores e consumidores (nominalmente) de bicicletas do mundo, tem um dos mais baixos indices per capita no uso de bicicletas.  Isto deve-se em grande parte a diversos fatores, para citar alguns, falta de infra-estrutura cicloviária nos municípios, , a própria insegurança e violência a que os ciclistas se submetem,  uma lei de transito que estímule a formação de uma cultura  de  respeito para com os ciclistas.

Para se ter idéia, no ano de 2008, estimasse que vendeu-se no Brasil pouco mais de 2,2 bicicletas para cada carro produzido, convenhamos, é uma diferença muito pequena para produtos tão distintos em preços.

As associações, sindicatos, ONGs, e demais instituições que defendem e acreditam na bicicleta como meio de transporte e lazer, tem que despertar e cobrar dos governos políticas mais objetivas, para que não se percam apenas na fase de propostas.

Associações como o IPB - Instituto Pedala Brasil, que tem conseguido reunir as mais diversas visões no segmento de bicicletas, têm conseguido  implementar com sucesso algumas das ações acima citadas.